Palavra dita por valentes ferroviários é palavra honrada.

E aquilo que dizíamos num dos últimos encontros de maratonistas – que o Ferroviário contaria com mais de 500 maratonas – a estatística confirma!

Num desses encontros, afirmámos, com convicção e emoção, que o Ferroviário ultrapassaria a marca das 500 maratonas concluídas.

Hoje, os números confirmam aquilo que o coração já sabia.

Num levantamento que, mesmo não sendo totalmente exaustivo, é profundamente revelador, concluímos que 63 atletas – entre os que continuam a correr e os que já deixaram as pistas – somaram juntos cerca de 24.350 quilómetros por vários continentes. Quilómetros de suor, de silêncio interior, de luta contra o cansaço e, acima de tudo, de amor à camisola.

Falamos de 567 provas, entre Maratonas e Ultramaratonas. A maioria delas na prova-rainha do atletismo, aquela que testa o corpo e revela o carácter.

Em cada linha de chegada a sensação é sempre semelhante: exaustos, sim, mas vivos. Vivos no sentido mais profundo da palavra, celebrando a vida e a superação – ao contrário do lendário Fidípides que correu de Maratona até Atenas para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas e tombou para sempre. Os nossos atletas tombam apenas nos braços do cansaço… e levantam-se mais fortes.

Este feito coletivo enche-nos de orgulho.

Arriscamos mesmo dizer que o Clube Ferroviário de Portugal ocupa um lugar absolutamente cimeiro no panorama nacional, sendo, muito provavelmente, o clube com mais provas de fundo concluídas pelos seus atletas. Não por acaso, mas por cultura, identidade e paixão.

A lista de nomes é longa – tão longa quanto as distâncias percorridas.

Entre os 16 atletas mais prolíficos, destaca-se José Valentim, seguido de, por ordem decrescente: Aires São Pedro; Carlos Santos; Rogério Morais; Guilherme Gonçalves; Gualdino Martins; Arsénio Facas; Armando Dias; Luciano Assunção; Alexandre Jorge; Catarina Varges; Mário Monteiro; Manuel Martinho; Rita Valentim; Neves Silva; Jorge Rodrigues.

É impossível não parar e aplaudir de pé a presença de duas mulheres extraordinárias – Rita Valentim e Catarina Varges – símbolos de coragem, perseverança e inspiração, que elevam ainda mais o nome do Ferroviário e demonstram que a bravura não conhece género.

Publicamos esta lista do top 63 para recordar, homenagear e eternizar nomes que fazem parte da nossa história.

Cada atleta aqui referido é um capítulo vivo do Ferroviário, escrito com passos firmes, respiração ofegante e uma vontade inquebrável de chegar mais longe.

Continuemos a correr. Continuemos a acreditar. Continuemos a superar limites. Porque, enquanto houver um ferroviário em pista, o Ferroviário continuará a avançar.

Guilherme Gonçalves, Atleta e Seccionista do Ferroviário